quarta-feira, 18 de março de 2020

Senhor Dr. Covid-19

Esta é a crónica sobre algo que já estava anunciado e previsto na literatura e no cinema, mas que foi classificado na sessão de "Ficção cientifica".
Assistimos desde Dezembro do ano passado o que acontece na China mas, na realidade, só começamos a ficar assustados quando o Sr. COVID chegou e devastou "Nostra bella Italia".
Desde aí sabiamos,  que dia menos dia chegaria a nós, somente não o queriamos aceitar. 
O ser humano têm sempre a tendência de desvalorizar o perigo e achar: "Connosco isso nunca acontecerá!".
Talvez nem sequer quisessemos querer, embora pretendessemos que sim, como que mergulhados numa imagem futurista retirada das descrições de um texto de Orwell. "Isto não pode estar a acontecer", diziamos a nós próprios, como que um doente em fase de negação.
As mensagens, desde o príncipio eram tão incertas, que nem tão pouco poderiamos imaginar que o assunto "Covid-19" chegaria a este ponto. Ao ponto de hoje se estar a discutir se o País entra em Estado de Sítio.
As vozes autorizadas das autoridades sanitárias aconselhavam-nos a ter calma, a não ficarmos alarmados, afinal "era um vírus muito pouco próvavel de chegar a Portugal", e "Portugal estava altamente preparado para lidar com um surto destes uma vez que tinha ao seu dispor 300 camas de hospital livres a nível nacional".
 Entre isso, e os jornalistas, plenos de responsabilidade, alternavam entre mensagens de sossego, para não alarmar o povo disposto a lançar-se aos supermercados e a saquear todos os bens como se o mundo fosse acabar e mensagens de alerta, a final o perigo estava por aí à espreita.
Então quando menos esperavámos - ou talvez justo no momento em que estavamos convencidos de que poderiamos escapar - trazem os meios socias as más novas, Portugal tinha o seu primeiro caso de Covid-19 confirmado após inumeras análises com resultado negativo. 
Entretanto o Covid-19 cresceu, mudou de estatuto passou de malvada Epidemia a Pandemia vilã.
Começou a caça aos numéros, de quem era o culpado, quem trouxe o vírus, o pánico começou a instalar-se e saíu a primeira fornada de medidas de contenção decretadas pelo nosso Governo após rapidamente termos visto o flagelo que estava a acontecer em Itália, Alemanha, França e aqui ao lado, aos Nuestros Hermanos Espanhóis. Portugal não quer isso, ninguém quer ter de dar a notícia aos seus cidadãos que num só dia morrerem 250 pessoas.
O Governo decidiu,  legitimamente, antecipar as férias da Páscoa, aconselha-se o isolamento voluntário, convida-se a adaptar o trabalho presencial para um trabalho elaborado à distância.
 Numa questão de poucos dias, adeus às missas, à semana santa, as festividades locais, municipais e nacionais e de repente, o país passa a trabalhar a meio gás, aliás num ritmo que marca toda a Europa, as bolsas europeias caem à pique, lança-se o pánico económico, entra os BCE, FMI e Governos: "Não se preocupem, vamos injetar a liquidez monetária suficiente para assegurar a estabilidade financeira", "as empresas poderão pagar as suas contribuições fiscais mais tarde".
Ouvimos coisas como: "Portugal e os Portugueses estão a demonstrar um comportamento exemplar", entre nós: excepto pelos atrevidos que foram para o caís do Sodré e para a praia de Cascais. Esses rebeldes!
 Portugal está semi-parado e segundo as previsões mais otimistas seguirá assim para além dos 15 dias assinalados, uma vez que no melhor dos cenários o pico desta Pandemia será em finais de Abril.
E desde o meu pequeno refúgio, onde estou em isolamento, tenho os meus vários heterónimos que vêm à superficie, ora todos juntos, ora cada um na sua vez:
Aquela que é a Filha, que se inquieta pelos seus pais que são mais velhos e com uma saúde mais debilitada, essa sente-se impotente e medrosa, afinal este vírus dizem ser bem mais letal para as faixas étarias mais velhas. Para ela, fecha tudo, entra em pánico, não saí de casa.
Depois é a Cidadã, Para esse meu heterónimo, o Governo não faz o suficiente, deviam fazer mais, tudo é insuficiente, tudo está errado, deixem cair o céu e a marinha mas protegam os seus cidadãos, assegurem-se de mitigar e dissiminar o vírus para longe, afinal assegurar a Saude Pblica e a segurança dos cidadãos é bem o vosso trabalho.´Fechem as fronteiras, isolem as pessoas, façam acontecer magia.
Depois a Diabética, a que em pánico fez o seu stock de medicação para 6 meses e que o medo assusta um pouco mais, afinal diabéticos fazem também parte de grupos de risco mais elevado.
Depois existe também a Jurista, essa análisa as medidas de contenção de outra forma, para essa declarar um Estado de sítio e emergência não deve ser feito de forma leviana, afinal estamos a falar que vamos restringir direitos fundamentais dos cidadãos, algo que se encontra previsto na Constituição no seu artigo 19.º, mas que desde a Revolução dos Cravos nunca foi colocado em vigor.
Para a jurista devemos atender ao que está na lei, e nunca nos podemos esquecer que cada restrição de um direito fundamental têm de respeitar os princípios fundamentais presentes no art. 18.º da CRP. como o príncipio da proporcionalidade, da adequação e da necessidade.

Todos os meus heterónimos concordam no seguinte:
Temos de levar este assunto muito a sério, e somente se todos adotarmos os bons comportamentos sanitários e socias poderemos mitigar mais facilmente este vírus.
Temos de agir civicamente, não nos colocarmos em risco, uma vez que esse risco será transversal a terceiros.
Temos de ser um por todos e todos por um. 
Na história da humanidade já atravessamos crises idênticas, em condições bem mais adversas. Sem informação nem meios cientificos.
Estamos no século XXI e a nosso favor temos um conhecimento e meios cientificos muito mais desenvolvidos. Cabe aos países não entrarem em guerras mesquinhas de quem dispersou o vírus ou quem tem os direitos sobre a vacina e quem vai ser o primeiro à procura de louvores, em vez disso, unam os conhecimentos e recursos cientificos que possuam até porque uma vida não vale mais do que outra. E já perdemos demasiadas para este Sr. Dr. Covid.

Um especial obrigada a todos os médicos, enfermeiros, auxiliares de sáude, bombeiros, policias e militares, porque na hora do aperto são vocês que dão a cara e o corpo às balas por todos nós.




domingo, 30 de dezembro de 2018

A Dama Dourada


A injustiça é dolorosa. Saber que o incorreto venceu, que o mentiroso obteve êxito, que o demagogo convenceu, que o perverso ganhou espaço não é agradável. É até desestimulante. E na vida, infelizmente, esses maldizeres rasuram nosso texto.

Quando sabemos que uma injustiça foi cometida contra alguém, deveríamos ter a compaixão e a razão necessárias para nos sentirmos, também, injustiçados.
A injustiça vai além do individual. Ela é do todo. Da vida em sociedade. É como uma parte do corpo que dói - todo o corpo sofre. A justiça também. 

Como é bom saber que o resultado de um julgamento devolveu o que alguém, injustamente, tomou de uma pessoa. Quando a mentira é, enfim, desmascarada, e a face da verdade está ainda intacta. É assim na vida. É assim na arte.

Assisti a um filme estupendo do Simon Curtis, "A Dama Dourada", e fiquei com a feliz sensação que a justiça é capaz de provocar. A história é incrível. Uma mulher austríaca que teve sua vida arrasada pelo governo nazista resolve ingressar com uma ação contra o governo reivindicando seus direitos sobre alguns quadros de Gustav Klimt. Um deles retrata a sua tia, Adele. A linda Adele. Obra que ficou conhecida como "A Dama Dourada".

Quando Maria Altmann (Helen Mirren) inicia sua saga contra o governo austríaco, ela conta com a ajuda de um advogado, Randol Schönberg (Ryan Reynolds), que é neto do renomado compositor austríaco Arnold Schönberg. A tarefa parece inglória. As portas fecham-se já que o quadro é considerado uma espécie de Monalisa da Áustria. Nas lembranças de Maria Altmann, o horror da invasão nazista e a tristeza de ver os seus compatriotas recebendo, festivamente, o exército de Hitler. O que justificava tamanha euforia se sabiam que cidadãos como eles estavam sendo arruinados? A lembrança da partida quando teve de abandonar os pais. Da chegada aos Estados Unidos. Do que ficou para trás e do que era preciso fazer ficar no presente. 

Quantos morreram nos campos de concentração? Quantas famílias foram dizimadas, histórias roubadas, mortes antecipadas por causa do horror da construção de uma raça pura. Pura é a raça que tem compaixão, que tem senso de justiça, que compreende a dor do outro e faz de tudo para amenizá-la. Pura é a raça que não mente, que não compartilha da injustiça por nenhuma razão. A razão correta é ser justo.

A batalha, por algumas vezes parece, perdida no filme. Mas são persistentes os seus protagonistas. Têm uma causa. Têm uma razão de viver. O que ficou perdido no passado não poderá ser reencontrado, mas há meios de devolver a paz que a intranquilidade dos injustos roubou. É isto, afinal, a justiça, a busca da harmonia, da razão correta, da pacificação social. É o impedimento da ganância, dos abusos, dos exageros que fazem com que não haja medida para se ter o que se quer.

O que Hitler queria? Ser um deus dos viventes? Decidir quem tem o direito de viver ou de morrer? Limpar o mundo do que ele julgava sujo? Sujo é quem não se percebe membro de uma mesma humanidade. Quem descuida os seus entes queridos. E de si próprio. Ninguém abraça a si mesmo. É preciso conviver. E, convivendo, aprender a ser justo.
O desfecho é bom. Altmann consegue o que sonhou. A justiça venceu. Aplausos à justiça. Mas é preciso ter cuidado. Nem tudo o que parece justo o é. Há muitas coisas encobertas que impedem que vejamos a face da justiça. Como saber? Como encontrar? Como revelar a justiça?

Perguntas, é bom que existam. Respostas, é melhor alguma prudência para alcançá-las. O bom é prosseguir. Celebrando a escolha limpa de quem tem uma razão para viver. A justa razão.

O filme é otimo. Mas a vida é ainda melhor. Desde que saibamos o que viemos aqui fazer. E não consintamos que nos desviem do alvo certo. Dizia Aristóteles que o arqueiro erra de muitas maneiras e só acerta de uma. Dá trabalho. Mas dá um enorme prazer saber que acertamos. Que a decisão foi justa. Que a verdade libertou. Que o convencimento nasceu de uma profunda reflexão. E que o perverso não prevaleceu sobre o generoso.

E sempre que a Justiça e o Direito estiverem em balanças opostas que prevaleça a Justiça até porque sem ela, o sentido do Direito fica vazio.

segunda-feira, 17 de setembro de 2018

O Estado da Justiça, em Portugal.



Todos nós partimos do princípio que a Justiça é, nas sociedades, uma instituição estruturante da coesão social, que é a pedra fundamental para os seus cidadãos se sintam em paridade perante os olhos da lei.

O Estado, ao chamar ao seu poder a realização da justiça tem de ser capaz, até porque faz parte do seu leque de deveres e de funções, de fazer funcionar a máquina judicial e de a colocar ao serviço da cidadania.

No entanto e para mal de todos os nossos pecados a justiça, em Portugal, funciona mal e é de difícil acesso. 
Sem juízes motivados até porque ninguém consegue estar motivado com processos em resmas e com a obrigação de "despachar" para as estatísticas perante a UE ficarem bonitinhas, sem juízes que sejam independentes a todos os níveis, como deveria ser, a justiça corre mais riscos que os normais. Nos nossos dias podemos quase dizer que a Justiça está pendurada por uma corda e (não) sabemos quando vai rebentar, mas sabemos que se não lhe deitarmos a mão, vai rebentar. 

A Reforma do Mapa Judiciário, essa cuja, só tem afastando os cidadãos dos tribunais, obrigando-os a fazer, em certas localidades do país deslocações de quilómetros para ir a um tribunal, as zonas mais afetadas, para não variar, continuam a ser as zonas do interior português como se só existisse Portugal na costa litoral.

Se falarmos dos tribunais administrativos e fiscais, então é o assunto é caótico. Anos e anos para se fazer um julgamento. Nas últimas reformas legislativas bem se têm inserido o princípio da celeridade, da cooperação, mas na prática, na prática continuamos a esperar anos por uma sentença, salvo raras exceções que se encontram aqui ou acolá, e tudo depende da "importância" social e mediática dos que se vão sentar no banco dos réus.

Numa Sociedade, numa Europa e num Mundo em que os cidadãos vivem com medo de perderem o emprego, de não pagarem as prestações em dívida dos seus créditos, de os filhos não terem futuro, de que lhes falte a reforma para a qual penosamente são severamente descontados todos os meses, de haver mais cortes nos vencimentos salariais, de ficarem sem saúde e não poderem trabalhar e terem de contar com o sistema da segurança social, com medo do futuro, até porque em relação ao futuro mandam-nos emigrar, é péssimo que percam, cada vez mais, a confiança na instituição que nunca deviam perder, a Justiça.

E bem pode o artigo 20.º da CRP proclamar que os cidadãos têm acesso ao direito e tutela jurisdicional efetiva, mas isso no bom rigor prático deixou de ser verdade, aliás como a maioria das disposições da lei fundamental, que estão bonitas para encaixilhar o que é aberrante. 

Outro aspeto a se ter em conta é a privatização da execução. Foram apontadas como a justificação, essencialmente, duas razões: a morosidade e a corrupção.

Porém, se as execuções eram morosas, agora, desde a privatização, quase não mexem... a pendência é assustadora, quase 700 mil processos pendentes no ano de 2017, sim 700 mil processos pendentes, 700 mil pessoas singulares e/ou coletivas à espera de recuperarem créditos, 700 mil que já têm uma sentença, que já transitou em julgado mas que não se conseguiu executar.

E, quanto aos fenómenos de corrupção, eles enchem as páginas dos jornais todos os dias, infelizmente tornou-se tão rotineiro que a maioria das pessoas já nem leva a sério algo de tamanha importância, tornou-se a piada dos jornais e rádios nacionais. 

Tornou-se praticamente inviável para a maioria dos cidadãos ir a tribunal executar sentenças. Quem tiver sentenças onde lhe são reconhecidos créditos para cobrar na ordem de alguns milhares de euros, tem de pensar muitas vezes. Para assegurar o seu crédito, pagará a taxa de justiça, a honorários devidos ao agente de execução que nem sabe quem é o credor, nem se tem dificuldades, nem se chora ou se ri, e tem de pagar ao advogado que provavelmente já conhece da ação declarativa e que, por sua vez, conhece a (in)capacidade económica do exequente…embora, por regra, após a pronunciação da sentença, mesmo que dela caiba recurso para as instâncias jurisdicionais superiores e que esta tenha um efeito meramente devolutivo, é necessário que primeiro haja uma sentença, e isso, isso é outra coisa.

A tudo isto acresce a dificuldade maior, que é em saber se o executado possui bens, pois, se o agente de execução não os descobrir, tal situação não isenta de ter de pagar ao agente de execução os honorários fixados em tabela.

Obstaculizando o acesso aos tribunais, deslocando a sua localização a dezenas de quilómetros dos cidadãos, aumentando as custas judiciais, privatizando a execução, é provável que, a prazo, a pendência nos tribunais diminua, mas essa diminuição será à custa da cidadania, será pelo sacrifício daquilo a que todos os cidadãos deveriam poder recorrer, porque é um direito fundamental que lhes assiste ou deveria assistir e que, por falta de tempo, dinheiro, confiança e fé nos sistema judicial preferem deixar andar. Mas vamos ver...espero que seja só um mau agouro dos tempos vindouros.

sábado, 15 de setembro de 2018

Direitos humanos: para quê (quem)?



Atualmente, pensar nos Direitos Humanos é uma atividade complexa. 

Lidamos com o paradoxo de conceitos que envolve os preâmbulos da Declaração Universal dos Direitos Humanos, de 1948, e o atual dito popular "Direito dos manos". 

Isso por conta do destaque maior que a Comissão de Direitos Humanos dispensa à população prisional, amontoada nos depósitos humanos e condenada pela desigualdade, pela exclusão e por outras dificuldades sociais que desencadeiam as expressões desses problemas na sociedade. 

Porém, os direitos humanos não são uma exclusividade da população prisional e abrangem os direitos sociais das famílias dos presidiários, das famílias vítimas da violência em geral, dos idosos, dos gays, das crianças etc. 

Não existe uma distinção específica a quem são atribuídos os direitos humanos. Todos têm direitos, independente de raça, credo, etnia, gênero ou “status” social. 

Mas o que ocorre com os “direitos dos manos”? 
Em realidade, eles não existem nem na teoria e nem na prática. São o fruto do descontentamento da população que sente na vida real a violência, que a vê diariamente nos meios de comunicação uma degradação do tão prometido “Estado Soberano e com garante primeiro: a Liberdade e Segurança” e que se começa a questionar onde estarão os seus direitos ou as suas garantias enquanto que o seu agressor aparentemente goza de mais direitos que a vítima. 

É deste modo que surgem grupos milicianos ou pessoas inconformadas com a injustiça que sentem nos ossos diariamente e que então auto proclamam-se como justiceiros, que se alimentam da ira alheia e com o crescimento desenfreado da violência e da aparente impunidade. 

Afinal, Direitos Humanos para quê? Se o direito de ir e vir acaba cerceado pela onda de assaltos, violações, tiroteios e insegurança pelos centros e arredores dos centros urbanos e rurais? Para que existem direitos humanos se quem é vítima da violência tem apenas um direito que lhe é garantido: ficar com o prejuízo material ou emocional quando não tem a sua vida interrompida ou suspensa por ações (im)pensadas da vítima ou do agressor? 

Ah, tem o direito de ficar calado também. Grande parte da população não acredita em direitos humanos, questiona a sua existência que teoricamente é Universal. 

Direitos humanos para quem? A família que teve um ente querido assaltado, ou agredido na melhor das hipóteses ou nas piores, assassinado, esses não têm direito a assistência pública. Já o agressor, quando detido, tem. E ainda lhe são oferecidas oportunidades de ressocialização e regeneração. 

No entanto, há um conflito entre quem defende os direitos de uma causa e quem defende os direitos universais como um todo. Tal fragmentação também está presente nas redes sociais, nos inúmeros sindicatos, associações espalhadas por todo este nosso “Globinho” azul. Toda essa divisão respinga no Instituto Jurídico dos Direitos Humanos porque sempre que os meios de comunicação expõem a sua atuação, ele parece estar abusivamente agregado ao “direito do povinho”. 

A Comissão de Direitos Humanos parece ser um celeiro de interesses eleitorais para políticos de histórico pessoal conservador e contrário às diversidades culturais, religiosas e de gêneros. Tal celeiro faz esses políticos "lutarem" pelos direitos de uma minoria que até bem pouco tempo atrás eram os alvos das suas críticas. 

E a promessa de luta pelos direitos da maioria, em contraponto com as minorias sociais, contraria o processo de socialização que poderia unificar os direitos de todos os cidadãos, sem distinção. 

Por esse motivo, os direitos humanos são encarados como um "privilégio" específico a um grupo social restrito, e estão sendo interpretados erroneamente como um terreno político de propagação dos valores conservadores e adversos à democracia e à liberdade. 


A quebra do Paradigma 

Se vivemos em uma sociedade marcada pelo triste histórico de dependência colonial e inércia política associada à corrupção e à intolerância, já está tarde para superarmos as adversidades sobre os direitos humanos, para que existem e para quem são. 

Portanto, a mudança no paradigma de que atualmente só existem os "direitos dos manos" deve atingir todas as classes sociais. Não há direitos humanos se a 

população desconhece seus direitos conquistados ou os renuncia apoiando quem na verdade quer se promover politicamente. 

Enquanto continuarmos com o pensamento específico de defesa a uma causa distinta ignorando a defesa universal dos direitos de todos os cidadãos, veremos a nulidade da importância da Comissão dos Direitos Humanos e uma ameaça de retorno aos tempos do "olho por olho, dente por dente". 

É preciso redefinir os rumos dos direitos humanos e de reafirmar a sua importância no dia a dia do povo, e não cercear os direitos de uns para garantir os direitos de outros.

domingo, 20 de maio de 2018

La vêm ELE



Lá vem ele. Passos calmos, olhos atentos na estrada.

Vai procurar sua fuga outra vez. O que ninguém entende é do que é que ele foge.

– Do quê foges?

A música não o encontra, as composições não são as mesmas; quer mudar de vida, mas tem medo. O novo é desconhecido. Por mais que a vida seja triste, ele andou muito até aqui. As estradas em noites frias trazem a solidão que só aqueles que já viram o céu sem estrelas podem entender. Sem saudade. Vontade – de sei lá o quê!
Quer viajar pelo mundo, acender novas velas, tocar algum instrumento; mas não sai do lugar.

Aqui é confortável, não é? A roupa está limpa, o carro está na garagem e a comida está quentinha. Dá para brincar de vida. Pode falar o que acha bonito, só não tem capacidade de falar o que sente.
Faz de conta que está tudo errado, chama a “falta de coragem” de “não sou o homem indicado para ti”, "tu serás mais feliz sem mim!". 
Diz que vai mudar de vida, mas a incerteza é uma corda na qual não se quer pendurar.

Dentro dele há uma criança ferida e magoada, talvez um sonho perdido e uma fé atropelada, mas por fora ele só se enxerga como um "monstro". 


ELE sabe por onde anda, o que faz, porque o faz, como chegou ali e qual é a hora de partir.

– Ele sabe o que há dentro dele e se envergonha do que as pessoas podem ver por fora.

 
Tem consciência do quão triste ele faz a sua própria vida, e, por isso, quando o tentas amar manda-te para longe. 

Mas a tristeza também ganha nome. Chama-se “culpa”. Culpa que as costas carregam de todas as estradas que ele já percorreu. Todas as encruzilhadas nas quais tomou o caminho errado, o desvio, a urgência. 
Teve sede de vida e sempre permaneceu na morte. Da alucinação à rotina. Do delírio à nostalgia. Dos bons tempos ao “Quando é que fui feliz?”.

As mãos doces do rapaz apontam sempre para o que ele não possui. A felicidade está distante. O céu tornou-se algo normal, que todos podem ver e que ele não enxerga mais. – Hey, estás perdido! – Eu posso sentir a confusão aqui de longe quando teus olhos vermelhos permitem gotinhas brancas.

O seu problema é que se mantém dividido e nunca inteiro.. e esqueceu que:
A esperança é sua. A vida, a fé, os dias melhores são seus e que ninguém poderá cuidar disso por ELE.
As escolhas são suas, os ventos sopram a seu favor e que o mundo nasceu para o ver triunfar. 


Não dá para depender de ninguém, nem da droga, nem da fuga, nem da mulher, muito menos da maçã. Tem que ser feito por ele, pelas suas metas e méritos. Caminhos e vitórias. Batalhas perdidas e desejo de continuar.

Não há um destino escrito, a vida dele não está predestinada à nada; Vai sempre faltar algo e o dever que nos foi dado é tentar fazer que falte menos.
– Va lá.
Tem uma lista de coisas que podes fazer, porque sempre haverá tempo. Até o último respirar e que te fique gravado na memória: "I will always always love you".

sábado, 6 de janeiro de 2018

Perspectivas da vida

         
Talvez a vida queira que nós conheçamos algumas pessoas erradas antes de encontrar a pessoa certa para que saibamos, ao encontrá-la, agradecer o facto de ela ter aparecido no nosso caminho.

É o que eu faço todos os dias!

O nosso melhor amigo é aquele que está connosco por longas horas, por vezes sem dizer uma única palavra, e quando vamos embora temos a impressão de que foi a melhor conversa que já tivemos até hoje.

É o que me acontece sempre que estou com ele.

Quando escolhemos dar a alguém todo o nosso amor nunca temos a certeza de que iremos receber esse amor de volta.

Por isso eu não amo à espera de algo em troca, simplesmente espero que este sentimento cresça no coração daquele que amo. E se isto não acontecer, sinto-me feliz por este sentimento ter crescido dentro do meu.

Em questão de segundos o ser humano pode-se apaixonar por alguém, mas pode levar uma vida inteira para esquecer esse mesmo alguém.

Foi o que me aconteceu, naquele dia.

Por isso, Sonha com aquilo que quiseres, vai para onde quiseres ir, sê o que queres ser.
Sê feliz para tornar a vida doce, têm dificuldades para torná-la forte, sente tristeza para a tornar humana e mantém a esperança suficiente para torná-la feliz...

As pessoas felizes não têm as melhores coisas, sabem é aproveitar o melhor das oportunidades que aparecem ao longo do caminho cheio de peripécias até porque ser resiliente é a palavra chave da vida.

A felicidade aparece para todos: para aqueles que choram, para aqueles que se magoam, para aqueles que procuram e tentam sempre e para aqueles que reconhecem a importância das pessoas que passam pelas suas vidas.

O meu futuro mais brilhante estará sempre baseado no meu passado mais querido.

Porque por mais longe que vá nunca me posso esqueçer de onde venho.







sexta-feira, 22 de dezembro de 2017

Ultrapassar o Medo!

      
Existem muitos momentos em que sentimos medo na vida.
O medo é avassalador, mas ensina-nos que é possível chegar ao outro lado.

À coragem!

Além dos grandes momentos de medo da vida, existem outros momentos em que sacrificamos o nosso verdadeiro «eu» para aceitarmos uma situação, para sermos aprovadas ou para, pura e simplesmente, sermos «simpáticas».

Isto, porque apesar de todos os progressos conquistados, existe ainda uma enorme recompensa para as mulheres que se «acomodam», que «jogam em equipa» e que não «abanam o barco».

Se permitirmos, os pequenos e ávidos monstros do compromisso, irão devorar a nossa alma, para passarem, aos poucos, a dominar as nossas vidas. Alimentam o medo de sermos excluídas, o medo da impossibilidade de sobrevivermos fora da «tribo».

Não admira que o medo nos corra nas veias, dificultando mesmo a corrente sanguínea e tolhendo a nossa energia criativa e assim activamos o nosso modo de «sobrevivência».


Assim, por ironia do destino, as pessoas que parecem bem adaptadas podem ser aquelas que simplesmente se acomodaram à ideia de ser governadas pelos seus medos, enquanto aquelas pessoas designadas de «neuróticas», tipo eu, ainda estão determinadas a lutar por ganhar coragem, abanarem o barco, a sobreviverem fora da tribo.

A coragem não se trata de ter a ausência de medo. É, sim, o domínio do medo.
A coragem, como sustenta o grandioso Sócrates, “é o conhecimento daquilo que não deve ser temido”, por outras palavras: há coisas de que devemos ter medo. Afinal queremos sobreviver. Jamais iremos poder erradicar totalmente o medo das nossas vidas, mas podemos, com certeza, atingir um ponto em que os nossos medos não nos impeçam de nos atrevermos a conceber novos pensamentos, a experimentar novas coisas, a assumir risos, a falhar, a começar de novo e a sermos felizes, a coragem é nos levantarmos mais vezes do que aquelas que caímos, até porque quanto mais confortáveis nos sentirmos com a possibilidade de cairmos, menos preocupadas iremos ficar com aquilo que as pessoas irão pensar se ou quando cairmos, menos críticas de nós próprias faremos de cada vez que cometermos um erro, mais corajosas nos tornaremos e mais fácil será a nossa viagem.

Tenho o meu próprio segredo para superar o medo.

Procuro o meu porto seguro e no meu «eu» - aquele lugar que não é susceptível às constantes vicissitudes da vida, isto não quer dizer que não me descontrole, mas significa que posso regressar a esse porto, a essa estrutura segura de apoio interior, de modo a que todas as minhas sensações negativas, e sobretudo os meus medos, se transformem em oportunidades para me fortalecer.
Quando consigo encontrar tamanha liberdade e força, consigo evoluir de um estado de medo para um estado de liberdade, confiança e alegria absoluta.


Todos nós, temos tanto potencial e contudo impedimos o nosso "eu" de o colocar em prática.

Se todos se preparam para ocupar o seu devido lugar na sociedade, então que o façamos com coragem e confiança.

terça-feira, 25 de julho de 2017

Justiça VS Igualdade


Q
uantas vezes já não ouvimos que alguém é justo pelo fato de que trata todos iguais? Essa frase faz todo o sentido como usar açúcar para salgar alguma coisa. 
Já deve ter ouvido algum pai de família reclamar que não sabia o que fez de errado com aquela criança, pois tratou todos iguais e somente aquele não deu certo. Não vamos entrar no mérito do que é “dar certo” ou “dar errado” na vida de uma pessoa, mas sim na ilusão de que um tratamento igualitário, que nos poupa do julgamento de como agir diferente em cada circunstância, seja a solução absoluta para todos os problemas.

O fato é que as pessoas são diferentes.

Estimular uma pessoa com a moral baixa pode ajudá-la a superar desafios, mas fazer o mesmo com alguém excessivamente autoconfiante é perigoso, porque pode desprepará-la com a possibilidade do desafio não ser superado. A primeira necessita de incentivo, a segunda precisa ser alertada. Da mesma forma que cada pessoa precisa de um estímulo diferente, as diversas situações também precisam ser vistas sob diferentes óticas. Para uma pessoa desempregada, o mais prudente é dizer a ela para que não fique passiva e lute para mudar essa adversidade. Para esse mesmo indivíduo diante de um assalto, o conselho mais sugestivo é que ele fique passivo e não reaja, afinal bens materiais são recuperáveis.

Seguindo esse ponto de vista, então seria mais justo que somente os mais preparados pudessem votar, certo? Errado. Apesar de que cada situação precisa ser analisada sob uma determinada ótica, todos somos cidadãos e merecemos direitos iguais. Chega a ser meio irónico, mas na Justiça todos devem ser tratados com igualdade. E nesta igualdade, todos devem ser tratados com justiça, respeitando suas características individuais e aptidões pessoais. Apesar de aparentar um certo antagonismo, faz todo o sentido quando compreendemos que temos duas existências: uma social e outra individual.

O problema é quando o social e o individual entram em confronto.

Quando chega a hora de cortar o bolo da festa, podemos adotar duas soluções. O mais lógico é respeitar todos os convidados e dividir os pedaços de bolo em partes iguais. Mas aí, uma das pessoas alega que comprou os ingredientes para o bolo e também fez o recheio, então o mais justo é que receba um pedaço maior. Há situações em que a igualdade ou a justiça são aceitáveis.





O problema da justiça é que ela necessita de critérios. Nessa discussão de quem merece o pedaço de bolo maior, a pessoa mais velha da festa alega que precisa de uma parte maior porque o seu corpo é o mais debilitado e sofre com hipoglicemia (falta de açúcar no sangue). Ouvindo isso, a criança mais jovem responde que merece ainda mais o maior pedaço, pois está em fase de crescimento e o seu corpo precisa de mais açúcar para repor as energias. Considerando que não dá para dar partes maiores para todos, só resta a você decidir em dar partes iguais a todos e gerar uma insatisfação geral ou dar partes maiores para alguns, de acordo com o critério que você achar mais justo, gerando uma contestação ainda maior daqueles que se sentiram desprestigiados.


Embora seja um exemplo, a ideia é ilustrar que apesar da justiça ou a igualdade poderem ser aplicadas, o ego dos seres humanos nunca poderá ser contemplado em sua totalidade.

AUTORIA: #DiegoRennan #EuSemFronteiras.

terça-feira, 10 de janeiro de 2017

A propósito da Igualdade (em sentido formal)

Falamos tanto em igualdade entre homens e mulheres e temos pouco resultado, vou tentar uma nova abordagem: vamos falar sobre igualdade entre seres humanos.
Todos temos a mesma base, nascemos da mesma forma, o nosso crescimento acontece de formas bem semelhantes (a nível dos nossos corpos), mas as nossas mentes, aí as nossas mentes, essas são influenciadas de diferentes formas, levando-nos a desenvolver posições na sociedade bem distintas frente às mesmas causas, aos mesmos problemas comuns..
O nosso mundo não precisa da existência de opressores e oprimidos. Nenhum de nós precisa, precisamos de lutadores e reivindicadores, precisamos de almas resilientes.


Meus senhores, assim como acredito na igualdade de géneros, acredito que ninguém, nem homens, nem mulheres devam ser obrigados a ir para lado algum ou a fazer coisa alguma, ou estar a mercê dos medíocres. 
Considero uma infracção ao artigo 13.º da Constituição da República Portuguesa e, como prova, o exponho, acho triste que tantas vezes o interesse privado trespasse os princípios basilares da nossa Constituição, como se não devesse toda a legislação estar subordinada, como diria Hans Kelsen à "Grundnorm" .
Art. 13.º Princípio da Igualdade

1. Todos os cidadãos têm a mesma dignidade social e são iguais perante a lei.

2. Ninguém pode ser privilegiado, beneficiado, prejudicado, privado de qualquer direito ou isento de qualquer dever em razão da ascendência, sexo, raça, língua, território de origem, religião, convicções politicas ou ideológicas, instrução, situação económica, condição social ou orientação sexual."

Acredito que o respeito ao próximo (regra presente nas bíblias, também) é imprescindível. Entretanto, não vemos muito isso ultimamente. Respeito não é algo que se vende na farmácia, não se distribui como doces em dia de festa, não se dá de presente de aniversário, respeito é um valor que nos é ensinado, algo que cultivamos durante toda a nossa vida e vive entranhado connosco (ou deveria).
Respeitar não é assinar um contrato para que existam termos. Não vou respeitar aquela pessoa só e somente se ela não me respeitar.

Vou respeitar aquela pessoa sempre, em qualquer momento, em qualquer situação, mesmo que ela me venha a ferir. Se assim suceder só tenho de me respeitar acima de tudo a mim própria e não entrar em esquemas de desrespeito mútuo. O mais importante da vida é aprender a dar a outra face da moeda, retribua sempre mas sempre com respeito e amor... trazer-lhe-á muito mais paz de alma.

Nada, repito: nada, dá o direito de tirar a respeitabilidade das pessoas, cada um têm o direito à uma vida da forma que escolher, por consequência terá aquilo que semear, seja bom, pessímo ou desastroso, viver é arcar com os riscos que lhe estão inerentes. Dignidade é um conceito pré-estabelecido para que nos sintamos superiores.
Não existe superioridade. Existimos nós. Existimos. Como humanos.
Por quanto tempo vamos continuar a odiar e a recusar tudo o que nos é estranho? o que não faz exactamente parte daquele nosso plano!
Como sugerido por alguém:

“Se não eu, então quem?
Se não agora, então quando?”

Que sejamos iguais enquanto humanos e cultivemos o respeito, para podermos garantir que outros seres humanos possam viver as suas vidas sem se preocuparem com o que pensamos deles, afinal, pensamento é subjectividade e esta, meus queridos e queridas, não serve como definição para nossas vidas.

Sejamos autênticos, plenos, instruídos.

Cultivando uma boa mente, o coração terá um fardo bem mais leve e afável!...

E para terminar, na vida devemos sempre lutar pelo Direito, mas em confronto com a Justiça, que a nossa escolha penda sempre pela Justiça... pois é a única maneira de garantir a igualdade e acesso a um mundo melhor para se viver...


sábado, 31 de agosto de 2013

O Mundo

"... O mundo não é sempre um mar de rosas. 
Na maioria das vezes é um lugar obscuro e demoníaco... E não importa quão duro és... ele vai te deixar de joelhos e te manterá assim se o permitires. 
E nem tu, nem eu, nem ninguém te vai bater com tanta força quanto a vida. 
Mas isto não se trata de com quanta força podes bater. Trata-se de com quanta força podes ser atingido e continuar, continuar a seguir em frente...."

by #Rocky Balboa

domingo, 28 de julho de 2013

A (in)diferença na igualdade desigual !



Vivemos num mundo de pessoas diferentes. Essas diferenças se baseiam em raça, género cultura, condições materiais entre outras coisas.


Quando temos uma visão, de um indivíduo ou grupo social diferente, baseado em valores próprios ou padrões adotados pela nossa cultura, acabamos considerando o nosso ponto de vista ou nossa cultura como sendo mais correto e natural. E a tendência do ser humano é negar ou repudiar o que é diferente. Acontece então a dificuldade de enxegar o mundo com sua multiplicidade e o resultado disso é discriminar os que são diferentes.

A desigualdade social é tratar o outro como desigual, centralizando o poder na mão de poucos.

No caso da desigualdade social de acordo com Marx ela se baseia nas relações entre as classes e ocorre quando o poder, que na nossa sociedade capitalista é o dinheiro, se concentra nas mãos de poucos. Se o dinheiro se concentra na mão de poucos isso significa que alguns não terão nada e isso é a desigualdade.
Alguns artifícios são usados pelo governo para produzirem a identidade social encobrindo a desigualdade social. Dois exemplos disso são o futebol e o carnaval. Esses eventos não só encobrem a desigualdade como também aquecem a economia do país.
A desigualdade social e a violência são os principais desafios para o mundo actual. De acordo com a ONU, entre os principais problemas estão a corrupção, desigualdade social, racismo, tortura e impunidade. A violência atinge cada vez mais pessoas, violando os direitos humanos mais diversas formas.
A exclusão social é uma forma de violência, pois viola os direitos humanos e impedem o desempenho da cidadania. O termo exclusão significa problemas sociais que levam ao isolamento e até à discriminação de um determinado grupo acarretando uma situação de falta de acesso às oportunidades oferecidas pela sociedade aos seus membros
O termo exclusão social teve origem na França,com isso foi influenciado pelo modo francês de classificação social e está relacionado com pessoas ou grupos desfavorecidos. De acordo com o sociólogo francês Robert Castel (1990), a exclusão social é o ponto máximo atingível no decorrer da marginalização. A Marginalização é um processo no qual o indivíduo vai progressivamente se afastando da sociedade através de rupturas consecutivas com e mesma.
A exclusão social pode implicar na privação, falta de recurso e de uma maneira mais abrangente na ausência de cidadania e participação plena na sociedade nos níveis cultural, social, económico, político e ambiental. Ela exprime-se em seis dimensões do nosso quotidiano: 

  • do SER, que está relacionado, a auto-estima, o auto-reconhecimento individual, ou seja, direito a dignidade; 
  • do ESTAR, que está relacionado a pertencer a um grupo social que vai desde a família até de vizinhança, o direito ao convívio com grupos, interagir socialmente; 
  • do FAZER, que está relacionado com tarefas socialmente reconhecidas, como o emprego remunerado ou trabalho voluntário não remunerado; 
  • do CRIAR, que está relacionado com a capacidade de empreender, assumir iniciativas, de definir e concretizar projetos e de inventar e criar ações;
  • do SABER, que está relacionado ao acesso a informação e conhecimento escolar que impede a capacidade crítica frente a sociedade 
  • do TER, que está relacionado com o rendimento, o poder de compra, o acesso a níveis de consumo médios da sociedade. 




A exclusão então define-se por uma situação de não realização de várias dimensões sociais, é o não ser, não estar, não fazer, não criar, não saber e não ter.

O grupos marginalizados são muitos como por exemplo: moradores de rua, prostitutas, homossexuais, obesos, mulheres, negros, idosos entre outros.


Estas pessoas invisíveis além de não ter seus direitos, são tratadas com todo tipo de violência e rejeição. Tudo que elas precisam é serem olhadas por alguém. Será que as pessoas só poderão enxergar essas realidades se viverem nela? Porque esses grupos marginalizados não são vistos como seres humanos sofrendo? 


Podemos esperar mudanças se ficamos cegos, surdos e mudos a nossa realidade social? Será que a insensibilidade é algo que paralisa? 
Muitos (incluindo, eu) esperam ter um mundo mais justo e igualitário porém quando se deparam com a realidade de desigualdade que vivem pensam: "De que adianta fazer alguma coisa se outras pessoas não fazem?" 

Nós podemos ver, porém sem enxergar, nós podemos ouvir porém sem compreender e nós podemos ficar calados ao invés de falar. 

Porém o começo da transformação de nossa realidade dependerá do quanto estamos sensibilizados e atentos e sobretudo predispostos a mudar! 


Podemos pensar em estratégias de inclusão através de dois processos interagindo positivamente entre indivíduos excluídos e sociedade. O primeiro é tornar os indivíduos cidadãos plenos, recuperando as competências do ser, estar, fazer, criar, saber e ter. O segundo é ter uma sociedade que permite acolher a cidadania na total e plena acepção da palavra. 




“Tente mover o mundo, o primeiro passo é mover a si mesmo.” #Platão


Sónia Isabelle Sousa, Julho 2013

terça-feira, 22 de janeiro de 2013

Politicas de Hoje

No essencial do tema da actualidade, concordo nos direitos e deveres. 

Não é correto andar a trabalhar uns e sustentar outros que nada fazem. Como no que toca as reformas e pensões, pois tudo tem limites, e tetos máximos, de ordenados todo abaixo do órgão de soberania de estado, pois só assim viveremos em democracia. (não a reformas chorudas da segurança social) 

Os partidos políticos são organizações sociais voluntárias, com carácter de permanência e duração razoável, que lutam pela aquisição e exercício do poder, através de meios legais e democráticos. Para quem defende os valores da liberdade e da democracia, estas organizações são importantes e merecedoras de todo o crédito, desde que estejam ao serviço da felicidade.

Nos últimos tempos, o povo tem vindo a demonstrar uma certa repugnância aos partidos e à actividade política. 

Isto assim acontece, porque os diferentes atores políticos não passam, muitas vezes, de simples marionetas de interesses obscuros e não enxergam que a política tem por objectivo a felicidade humana, como atesta a filosofia aristotélica. 

Aristóteles, o grande filósofo grego, entendia que a política é uma ciência, que se desdobra naturalmente em ética e política propriamente dita. Ambas, direccionadas à polis; a primeira deve estar preocupada com a felicidade individual do homem e a segunda com a felicidade colectiva. 

O objectivo principal das práticas políticas é a promoção do bem-estar dos cidadãos, da edificação e conservação de uma comunidade feliz. Todo o ato político devia estar centrado no ser humano. Esta atitude, que devia ser uma constante por parte dos agentes políticos, é só lembrada em períodos eleitorais. Atente-se ao que tantas vezes se verifica: políticos que fazem da construção de um chafariz, uma festa propagandística e, com muita vaidade, aparecem com uma foto sorridente estampada na comunicação social a saudarem o “seu” povo. Pouco mais fazem, com um vazio total de ideias e obras, nulos na resolução de crises, sem humildade para reconhecerem a sua incompetência e ignorância, acoplados a uma filosofia do rebanho, cercada de acólitos e máquinas déspotas propagadoras de guerras intestinas, esmagando e destruindo até os seus apaniguados. 

Há uma lógica perversa neste asqueroso estado de coisas: a promoção do compadrio, da incompetência, da corrupção, do desrespeito pelos elementares princípios da felicidade do cidadão. Alguns políticos, para além de mostrarem incapacidade para gerirem o que quer que seja, mostram-se mais preocupados com um futuro melhor para si, para os seus filhos, enteados, irmãos, sobrinhos, cunhados, afilhados, amigos e amigos dos amigos. 

Como a estupidez política não tem limite, alguns dos políticos até tentam ser simpáticos democratas e dão explicações cretinas, impregnadas de hipocrisia e ensinadelas nos seus delírios de vaidade, afirmando, obviamente com a boca cheia de mentiras, que os seus actos são praticados a favor da qualidade de vida dos cidadãos e do seu bem-estar, que são praticados em prol da felicidade de quem os elegeu. 

Que excelente seria, se sempre assim fosse, pois é para isso que é eleito. É de louvar os políticos honestos e competentes, que abraçam as causas e estão por missão na gestão dos bens públicos. A actividade política é altamente nobre, só que a desilusão com os políticos e as políticas tem sido mais que muita e, isso, tem levado os pensamentos dos cidadãos para alguma reminiscência sebastianista, que não augura nada de bom para a democracia, para a liberdade e para a felicidade dos cidadãos.

Para se colocar um fim a este status quo que se instalou na política e nos políticos, os cidadãos precisam de parar de se queixar e agir. É preciso erguer e lutar perseverantemente para que, aqueles que tiverem a nobre missão de governar sejam os mais competentes, os mais honestos, os melhores entre os melhores, para assim se manter acesa a esperança num futuro melhor e mais risonho, principalmente para os vindouros. 

Assim esperamos!!!

sábado, 5 de janeiro de 2013

A dita "Humanidade" que temos !




Como é possível, tanta crueldade, frieza?...
Como a dita "Humanidade", como as tão aclamadas sociedades modernas podem permitir algo assim, tão nefasto e montruoso com os nossos tesouros, com os nossos futuros?

Crimes de guerras na Líbia! Como é possível?



Um relatório da Organização das Nações Unidas (ONU) publicado em Genebra sustenta que ambos os lados envolvidos no conflito da Líbia, governo e opositores, cometeram crimes de guerra. 

Os três especialistas em Direitos Humanos que realizaram as investigações ressaltaram, contudo, que os delitos cometidos pelas tropas do ditador Muamar Kadafi são muito mais numerosos.

Os investigadores disseram ainda que encontraram evidências de que Kadafi tenha ordenado os crimes, que incluem assassinatos, tortura, uso de crianças-soldado e violência sexual. 

Outras instituições de Direitos Humanos já haviam denunciado que soldados do regime cometeram abusos sexuais de crianças. 


Conclusões - "A comissão chegou à conclusão de que crimes contra a humanidade e crimes de guerra foram cometidos pelas forças governamentais da Líbia", disse o Conselho de Direitos Humanos, em nota oficial. "A comissão recebeu menos relatos de crimes contra a humanidade das forças de oposição, no entanto, encontrou alguns atos que constituem crimes de guerra", disse o conselho também sediado em Genebra.

segunda-feira, 30 de julho de 2012

Bagdad






Bagdad, 
Terra das Mil e Uma Noites, 
Das Mil e Uma Mortes, 
Dos Mil e Um Pesadelos, 
Das Mil e Uma Armas de Destruição Massiva, 
Das Mil e Uma Crianças Que Imploram 

Alimento, carinho, vida, 
Saúde, riso e esperança 
De mil e uma noites estreladas... 


É no regaço coberto pela burca 
Que se escondem os olhos de mágoa, 
Os rostos de dor, 

O sofrer no silêncio 
De quem perde os filhos 
Para uma eternidade sem preço... 

Sem luz, sem horizonte, 
Por entre escombros de sangue 
E de humilhação... 


Já vai longo o tempo em Bagdad, 


Dia a dia 
É sempre assim 
Dia a dia, 
Sempre e sempre, 
Dia a dia, Mãe a Mãe... 


Sem leite, sem carne, 
Sem trabalho, sem dinheiro 
E sem dignidade humana,,, 


Quando irão viver, 
Num mundo de esperança, 
As crianças tristes da Terra das Mil e Uma Noites? 
Quando será deles a era dos sorrisos? 


Ninguém escapa, 
Ninguém pode fugir...


Mas quantos ficarão nos escombros sombrios,
Nos destroços da guerra?

Quantas bombas? Quantos mártires?
Quanda intolerância!
Quanta ignorância, quanto fanatismo...
Até quando deixará a Terra 
Que as Mil e Uma Noites
Sejam pesadelos de mãe
Por entre burcas,
Em gritos aflitos que ecoa pelo universo...

Bagdad, terra queimada, alma perdida...



Bagdad,

Terra sem mãe!

quinta-feira, 28 de junho de 2012

Será a Democracia apenas uma preferência ?



Pode a Democracia ser mais do que uma preferência , entre tantos outros regimes?

Sendo ela baseada no respeito pelas preferências dos indivíduos, não deveria ela própria respeitar as preferências não democráticas, ou mesmo antidemocráticas, daqueles povos que não têm tradições democráticas?
Este problema não deve ser subestimado e não deveríamos ficar satisfeitos com respostas demasiado simples. Saber se a Democracia é ou não uma simples preferência envolve uma reflexão prolongada às intrigantes origens da ideia democrática.
Uma primeira resposta à pergunta terá necessariamente de concordar com um dos aspetos da pergunta: a Democracia não pode, nem deve, ser imposta àqueles povos que não concordam com ela. Isto parece até decorrer da própria definição de Democracia: sendo baseada no autogoverno das populações, a democracia obviamente não pode funcionar se as populações não quiserem autogovernar-se. 
No entanto, é difícil saber se os povos que vivem em regimes não democráticos querem ou não autogovernar-se. os lideres políticos desses povos dizem que eles não querem. Mas, em regra, os povos não tiveram a possibilidade de exprimir livremente as suas preferências. 
Existe um núcleo moral substantivo que subjaz à ideia Democrática. Esse núcleo moral reside na crença na igual dignidade moral de todos os indivíduos, ou, por outras palavras, na inviolabilidade da consciência individual. Deste pressuposto não decorre que tudo aquilo que um individuo escolhe está certo, só porque foi ele que escolheu. Decorre apenas, e já não é pouco, que não devemos impor uma escolha contra a consciência de um individuo - a menos que essa imposição seja necessária para proteger outros indivíduos.
Mas também deriva daqui, necessariamente que muitas escolhas que não prejudicam terceiros poderão ser erradas, devendo, por isso, ser combatidas com argumentos. Faz parte das crenças democráticas a ideia de que do choque entre argumentos rivais resultará um aperfeiçoamento dos indivíduos e das sociedades. 
Voltando à pergunta de partida e para finalizar, é agora possível afirmar que o ideário democrático impõe que a democracia não pode ser imposta àqueles povos que não a preferem. Mas isso não impede que os democratas considerem a preferência desses povos como errada. 
Nada no argumento brevemente aqui esquematizado a favor da democracia supõe que todas as preferências são equivalentes.


Sónia Isabelle Sousa*

sexta-feira, 1 de junho de 2012

Qual é o estado atual do Direito?


Qual é o estado atual do Direito?
É um Direito decadente, a Justiça não funciona e os tribunais estão "entupidos"com processos sem interesse jurídico. É um Direito que deixa fugir os "maus", deixando assim os "bons" desprotegidos. 
É uma crise de alma e de identidade aquela que graça no ordenamento jurídico.
Temos uma sociedade procuradora de conflitualidade. 
Qualquer que seja o problema, acaba por ir ter aos tribunais, porque passou a ser a única instância que de fato ainda consegue dar resolução a esses problemas. Com isto, o Direito perde a sua especialidade, logo, perde-se também a qualidade, devido ao aumento do trabalho.
O desenraizamento do individuo conduz à falta de travões, priva-o da sensação de integração e tudo isto vai ter impacto na jurisdicidade, porque sem valores, princípios, religiões o Direito vê-se a braços com questões para a qual não estava preparado.


Sónia Isabelle*

quarta-feira, 18 de abril de 2012

O Direito


O Direito está em toda a parte. 
Mal nascemos somos registados no Registo Civil e depois somos registados se casarmos, se nos divorciamos e quando morremos.
O Estado regista quase tudo: o nosso nascimento e morte, a nossa identidade, as nossas declarações de bens, a nossa situação matrimonial e militar, o nosso emprego etc...
O Direito regula quase tudo na nossa vida, desde que nascemos até que morremos . Regula as relações entre pais e filhos, entre os cônjuges, entre patrões e empregados, entre os estudantes e as Universidades que frequentam , entre alunos e professores, regula o nosso transporte, as nossas viagens, as nossas férias, o nosso consumo, os nossos concertos e festivais. Garante-nos a Liberdade, mas também nos oprime... faz parte da nossa vida e de tal modo que para o conhecer intuitivamente não é preciso ser jurista, basta viver!.

sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Quando a vida te rouba a tua melhor amiga...

A tua vida foi roubada..
A saudade aperta, tu sabes...
Mas nestes dias, (Festas, aniversários, momentos importantes...) é quando ainda se torna mais aceso na memoria a tua partida involuntária!.. 
Lembras-te de tudo aquilo que combinamos fazer?
O nosso planeado projecto de ferias!!?
Idas ao corsaire, ao shopping, dormir na casa uma da outra, passear pelos campos Iliseos e subir a Torre Eiffel, as nossas idas as galerias, como sempre faziamos..

Ir aquela nossa pastelaria que adorava-mos para comer aqueles nossos croissant's tão fofinhos e beber o chocolate quente naqueles gélidos dias de inverno!!
Dos nossos passeios pelo Jardim de Luxemburgo e pelos Parques da cidade (o de Monceau era o nosso favorito) onde ficávamos horas a fio à conversa até anoitecer e o frio da noite nos obrigar a ir para casa?

Das vezes que atirávamos neve uma a outra em plena rua, como se tivéssemos 2 anos?

E quando no colégio quase explodimos o laboratório devido às nossas experiências malucas??

E daquela vez que fomos expulsas pela Mme Grignon? 

Das nossas hilariantes viagens de metro em que nos riamos muito... 
Sabes hoje em dia não raramente ando de metro. Sem ti não consigo! Sem ti já não é igual...

Daquelas idas ao Jean-Luc que nos fazia cortes de cabelo estupendos e a nossa reacção antes de nos olharmos ao espelho? Sempre aquele medo mas depois o alivio por mais uma vez o nosso cabeleireiro favorito não nos ter desiludido e nos sentirmos totalmente renovadas!

E quando me apresentas-te o teu namorado cheia de vergonha e depois no fim ao ir para casa toda tímida a perguntares-me: "Então o Guillaume está aprovado?" 

Das idas ao Mac??
E da nossa euforia quando íamos a algum concerto!!? Hoje em dia, nos concertos fico parada, imóvel, seca e sem vida, faltas tu ao meu lado. 

E das idas ao cinema?.. fazias sempre cara feia quando escolhia filmes legendados tu gostavas dos dobrados.
E uma infinidade de coisas mais!! eras a Irmã que eu não tinha. Nós eramos Um.
Faziamos tanta coisa!! A nossa agenda era sempre completa...

E agora?
Agora onde estarás!!?
Será o céu como tu o imaginavas?
Ele existe?

Será que sabes o que aqui estou a escrever?

Será que sabes a dor que deixas-te no coração de todos nós exactamente por gostar-mos todos imenso de ti!!
E agora Carolane, a quem vou pedir ajuda, a quem me vou confessar, com quem vou rir e chorar. 
Acho que nunca te cheguei a dizer o quanto eras importante para mim,

O quanto me fizeste feliz e o quão significas-te na minha vida!! O quanto ainda hoje choro a tua morte, aliás não a aceito! 
E agora já não tenho oportunidade, ficou tudo aqui atravessado na minha garganta, trancado no meu peito..

Ficou um vazio que não dá para preencher...
Agora estás para lá daquelas entradas, nesse cemitério onde repousas junto de celebridades (sempre desejas-te ser enterrada no mesmo cemitério de Molière), mas eu preferia que estivesses viva... :S
Quem me dera que os papeis e azar do destino se tivessem invertido e tivesse eu falecido em teu lugar!!
Foste, és e serás sempre parte do meu passado, lembrança doce e suave do meu presente e para sempre guardada no meu Futuro..
Um dia voltaremos a nos encontrar-mos... pelo menos é isso que espero e anseio! 


Descança em Paz Carolane Sophie Dubeux (05/02/09)

domingo, 30 de outubro de 2011

Nao admira que estejamos em crise....

AQUI VOS DEIXO ALGUNS EXEMPLOS DE DÚVIDAS QUE O TRIBUNAL DE CONTAS
ENCONTROU NAS DESPESAS PÚBLICAS…

... 1. ADMINISTRAÇÃO REGIONAL DE SAÚDE DO ALENTEJO, I. P.

- Aquisição de 1 armário persiana; 2 mesas de computador; 3 cadeiras
c/rodízios, braços e costas altas: 97.560,00€
Eu não sei a quanto está o metro cúbico de material de escritório mas
ou estes armários/mesas/cadeiras são de ouro sólido ou então não estou
a ver onde é que 6 peças de mobiliário de escritório custam quase 100
000€.

Alguém me elucida sobre esta questão?

2. MATOSINHOS HABIT – MH

– Reparação de porta de entrada do edifício: 142.320,00 €
Alguém sabe de que é feita esta porta que custa mais do que uma casa?


3. UNIVERSIDADE DO ALGARVE – ESC. SUP. TECNOLOGIA – PROJECTO TEMPUS

– Viagem aérea Faro/Zagreb e regresso a Faro, para 1 pessoa no período
de 3 a 6 de Dezembro de 2008: 33.745,00 €
Segundo o site da TAP a viagem mais cara que se encontra entre
Faro-Zagreb-Faro em classe executiva é de cerca de 1700€. Dá uma
pequena diferença de 32 000 €. Como é que é possível???

4. MUNICÍPIO DE LAGOA

– 6 Kit de mala Piaggio Fly para as motorizadas do sector de águas: 106.596,00 €
Pelo vistos fazer um “Pimp My Ride” nas motorizadas do Município de
Lagoa fica carote!!!

5. MUNICÍPIO DE ÍLHAVO

– Fornecimento de 3 Computadores, 1 impressora de talões, 9 fones, 2
leitores ópticos: 380.666,00 €

Estes computadores devem ser mesmo especiais para terem custado cerca
de 100 000€ cada….Já para não falar nos restantes acessórios.


6. MUNICÍPIO DE LAGOA

– Aquisição de fardamento para a fiscalização municipal: 391.970,00€

Eu não sei o que a Polícia Municipal de Lagoa veste, mas pelos vistos
deve ser Haute-Couture.

7. CÂMARA MUNICIPAL DE LOURES

– VINHO TINTO E BRANCO: 652.300,00 €

Alguém me explica porque é que a Câmara Municipal de Loures precisa de
mais de meio milhão de Euros em Vinho Tinto e Branco????

8. MUNICIPIO DE VALE DE CAMBRA

– AQUISIÇÃO DE VIATURA LIGEIRO DE MERCADORIAS: 1.236.000,00 €

Neste contrato ficamos a saber que uma viatura ligeira de mercadorias
da Renault custa cerca de 1 milhão de Euros. Impressionante…

9. CÂMARA MUNICIPAL DE SINES

– Aluguer de tenda para inauguração do Museu do Castelo de Sines: 1.236.500,00 €

É interessante perceber que uma tenda custa mais ou menos o mesmo que
um ligeiro de mercadorias da Renault e muito mais que uma boa casa...
E eu que estava a ser tão injusto com o município de Vale de Cambra…

10. MUNICIPIO DE VALE DE CAMBRA

– AQUISIÇÃO DE VIATURA DE 16 LUGARES PARA TRANSPORTE DE CRIANÇAS: 2.922.000,00 €

E mais uma pérola do Município de Vale de Cambra: uma viatura de 16
lugares para transportar crianças custar cerca de 3 milhões de Euros.
Upsss, outra vez o município de Vale de Cambra…

11. MUNICÍPIO DE BEJA

– Fornecimento de 1 fotocopiadora, “Multifuncional do tipo IRC3080I”,
para a Divisão de Obras Municipais: 6.572.983,00 €
Este contrato público é um dos mais vergonhosos. Uma fotocopiadora que custa normalmente 7,698.42€ foi comprada por mais de 6,5 milhões de Euros. E ninguém vai preso por porcarias como esta?

COMO É POSSÍVEL NÃO ESTARMOS EM CRISE?

É DIFÍCIL CORTAR NAS DESPESAS PÚBLICAS? 

POUPEM-NOS ESSE DISCURSO BARATO!